A conquista do poder nos partidos portugueses

Comunidade Cultura e Arte
Por Samuel Martins
Todos os partidos portugueses, nem sempre eficazmente, nomeiam representantes ou líderes na busca pelo poder, sobretudo em cargos como secretários gerais ou presidentes, variando consoante a preferência de cada um pelo título.
Esta luta que irei analisar neste artigo pode ser vista em diversas vertentes, tendo cada uma um impacto diferente e diversas formas de "combater" ou "conquistar". Para isso iremos tomar como exemplo alguns dos partidos portugueses com assento parlamentar.
Iremos começar por partidos cujo líder é tido como legítimo pelos seus militantes, não necessariamente por via do sufrágio. Quer isto dizer os militantes reconhecem naquela pessoa liderança por ser ela própria, talvez porque estão acostumados ou porque não querem ter de lidar com uma cara desconhecida, algo semelhante com o que podemos observar no PCP desde há algum tempo. Jerónimo de Sousa mantem-se líder deste mesmo partido desde 2004. Seja para a manutenção do acima referido poder político ou, quiçá, manutenção da estabilidade do partido, basta-lhe seguir os ensinamentos de Nicolau Maquiavel, não preterindo os atos até então feitos para manter o poder e adaptar-se, nesses mesmo moldes, que aos desafios presentes, apenas com uma força extraordinária serão capazes de o privar dos seus cargos. No sentido pejorativo, esta forma perpetuadora do poder prolifera o vício dele, podendo conduzir a meios menos legais e ao termino da pluralidade dentro do partido.
No caso de partidos sem líder unanimes como o PSD e CDS, onde estes partidos são compostos por diversos potenciais a tomar posse da liderança, não reconhecendo a legitimidade do seu poder e considerando-se sempre mais capazes na alegada obtenção do cargo. Em termos de divisórias, nos referidos partidos, podemos identifica-las por dois motivos:
1º A própria crença de serem capazes ou mais capazes que o atual líder de melhor exercer o cargo; estes contestam-no e tentam tomar-lhe o poder como no CDS-PP, onde os candidatos a líder do partido possuem, no seu cerne, uma opinião fundamentalmente e transversalmente conservadora e, ainda assim, apesar da homogeneidade continuam, como evidenciado nas eleições passadas, com esta grande divisória.
2º por motivos ideológicos; nos partidos com ideias mais heterogenias, criam-se blocos de diversas posições dentro de um só partido. Cria-se assim uma afincada luta pelo poder mas desta vez por motivos diferentes. Olhemos agora para o caso do Partido Social Democrata (PSD), no qual durante as ultimas eleições do partido estava dividido entre dois fortes candidatos e que, em segunda volta, o líder do partido Rui Rio - que representava a ala mais social democrata do partido - ganhou com 53.21% dos votos expressos, enquanto Luís Montenegro que representava a ala mais à direita do PSD, apenas ficou com 46.76% dos votos expressos.
Tanto no CDS como no PSD estas versões antagónicas tornam-se prejudiciais para os dois partidos, pois tanto a ala do PSD que não se revê na ala oposta irá votar nessa mesma por não compartilhar os mesmos ideais, indo refugiar-se num outro partido ou no voto em branco/nulo; da mesma forma, no CDS não votarão por considerarem que outros candidatos são mais competentes, como podemos verificar nas mais recentes eleições, acabando assim por votar noutro partido, como o PSD, ou em branco ou nulo .
Um caso atípico a estes será o Iniciativa Liberal (IL) em que foi feita uma eleição sem muita contestação, passando de uma forma natural e discreta, pois João Cotrim de Figueiredo seria aquele que se tornaria o deputado único do partido e, sendo esta forma a mais natural de se tornar o líder do partido
Em suma, num país bombardeado por abstenções que ganham eleições com maioria absoluta e com pessoas que não se revêm nos políticos, os diversos partidos continuam a apostar na representação por pessoas e não ideias, conduzindo deste modo a uma maior desconexão tanto dos militantes como do eleitorado com o partido num todo, tornando-se um meio fraturante da política.