Um vírus com uma crise atrelada.

25-03-2020

                                                                                                               Business Standard.

Por Pedro Prazeres.

A maior pandemia do século chegou até nós, o já conhecido, COVID-19. Com origem na Ásia, o vírus que atacou inicialmente a província de Wuhan na China, já se alastrou um pouco por todo o mundo, estando o seu epicentro agora na Europa. A nível mundial, já estão confirmados mais de 300 mil casos e 15 mil mortes, estando o COVID-19 presente em mais de 170 países.

Os governos de todos os países, de forma a conter a propagação do COVID-19, estão a ser forçados a tomar medidas: o fecho de escolas, universidades, cancelamento de greves, encerramento de estabelecimentos comerciais, redução da circulação dos cidadãos e requisição de prestação de serviços de saúde. Medidas extraordinárias para uma situação também ela extraordinária.

De momento, permanece a incógnita se a seguir a este vírus podemos esperar uma nova crise económica. Ainda há pouco tempo ultrapassámos a crise de 2008, será que estamos prontos para enfrentar outra? À medida em que os governos vão tomando medidas de contenção, também as bolsas mundiais vão respondendo negativamente a esta pandemia. Todas as bolsas tiveram perdas, no entanto os países europeus foram os mais afetados, devido às várias políticas impostas por estes países.

No caso dos Estados Unidos, outro país que tem sido fortemente atacado pelo COVID-19, foram vários os analistas do Morgan Stanley (empresa global de serviços financeiros) que afirmaram que o crescimento dos EUA desceria para mínimos de 74 anos, em 2020. Por sua vez, os analistas do Banco de Investimento calculam um tombo de cerca de 30% do PIB dos Estados Unidos.

Quanto aos países da América do Sul, ainda que o vírus só agora se comece a fazer sentir, estão também a tomar medidas idênticas às que foram tomadas pelos vários países europeus. No entanto, também estes têm visto perdas significativas nas suas bolsas, assim como os restantes.

Já na Ásia, sendo a China o país mais afetado, a Goldman Sachs (grupo financeiro internacional) reviu a estimativa de crescimento anual de 5% do PIB para -9%. Também a China que é um dos países que mais tem crescido economicamente nos últimos anos irá sofrer danos económicos como resultado da propagação COVID-19.

A OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) já avisou que o impacto da pandemia irá superar as piores previsões económicas que haviam sido feitas para o crescimento económico. Considerando que no pior cenário, esta situação poderia reduzir até metade do crescimento da economia mundial em 2020, situando-se em 1,5% e fazendo com que várias economias acabassem por sofrer uma recessão, nomeadamente as economias europeias.

Para o secretário-geral da OCDE, a pandemia da COVID-19 será o terceiro choque financeiro deste século, após o atentado do 11 de Setembro de 2001 e a crise financeira global de 2008. Considera ainda que as medidas adotadas pelos países, de forma a combater a propagação da pandemia, estão a congelar por completo as suas economias, uma situação sem precedentes, fazendo com que não se consiga saber com precisão como será feita a recuperação. É prioritário um esforço dos governos, juntamente com os bancos centrais para evitar um descalabro da situação económica que potencie numa nova crise global.

Em suma, verifica-se que tanto o alastramento da pandemia como as tentativas para impedir a sua propagação estão a ter graves impactos nas economias dos países, impedindo o crescimento e contribuindo para uma possível recessão. Vivemos um momento de incerteza, nunca vivemos uma crise como esta e por isso será muito complicado saber como irá acabar. 


Referências 

GUTIÉREZ, P. (2020). Coronavirus map: how Covid-19 is spreading across the world (online) Obtido: https://www.theguardian.com/world/ng-interactive/2020/mar/23/coronavirus-map-how-covid-19-is-spreading-across-the-world

SOL. (2020). Nova crise em 2020? Sinais estão todos aí (online) Obtido: https://sol.sapo.pt/artigo/681560/nova-crise-em-2020-sinais-estao-todos-ai

LUSA. (2020). OCDE: Impacto da pandemia de covid-19 é maior do que as piores previsões (online) Obtido: https://www.publico.pt/2020/03/21/economia/noticia/ocde-impacto-pandemia-covid19-maior-piores-previsoes-1908849

ABEL, M. (2020). Cenários para o impacto económico do covid-19: PIB pode cair mais de 5% em 2020 (online) Obtido: https://observador.pt/especiais/cenarios-para-o-impacto-economico-do-covid-19-pib-pode-cair-mais-de-5-em-2020/


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